sábado, 5 de março de 2011

A Seta e o Alvo

Eu falo de amor à vida,

Você de medo da morte.

Eu falo da força do acaso

E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto

E você numa estrada em linha reta.

Te chamo pra festa,

Mas você só quer atingir sua meta.

Sua meta é a seta no alvo,

Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito

E você de óculos escuros.

Eu digo: "Te amo!"

E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,

Você pisa os pés na terra.

Eu experimento o futuro

E você só lamenta não ser o que era.

E o que era?

Era a seta no alvo,

Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,

Você deixa a porta se fechar.

Eu quero saber a verdade

E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,

Você diz que não tem mais vontade.

Eu me ofereço inteiro

E você se satisfaz com metade.

É a meta de uma seta no alvo,

Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça

De já saber o fim da estrada,

Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,

Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça

De já saber o fim da estrada,

Quando se parte rumo ao nada

Paulinho Moska e Nilo Romero 

Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Carlos Drummond de Andrade